quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Entrevista exclusiva a Mauricío do Vale (1ªparte).

Mauricío do Vale em entrevista no blog tauromáquico Quiebros e Chicuelinas.
 Entrevista: um dos verdadeiros "Maestros" da Tauromaquia nacional, Mauricio do Vale, apoderado do matador de toiros português Luis Vital "Procuna" e do novilheiro português Manuel Dias Gomes falou ao Blog Tauromáquico "Quiebros e Chicuelinas".

Entrevista: Bruno Paparrola  

Foto: Joaquim José Paparrola.

Quiebros e Chicuelinas -Desde quando teve o gosto pela Tauromaquia ?

Mauricio do Vale - Desde míudo, quando tinha os meus 4 anos comecei a ir à Praça de Toiros do Campo Pequeno com um familiar meu e comecei a sentir-me fascinado, muito entusiasmado, depois ia para casa onde tinha um corredor de 8 metros de comprimento, e imitar tudo aquilo que eu via dos toureiros a pé. Comecei a sentir-me de facto a ficar contagiado pelo toureio a pé e a partir daí nunca mais parei, embora tenha muito respeito pelos cavaleiros e pelos forcados, existe um lugar muito especial no meu coração para o toureio a pé.  

Q.C- Como se deu o início da sua aventura pela comunicação social taurina ? 

M.V -
Através do programa "Sol e Toiros" de boa memória na altura na Emissora Nacional, pediram-me um dia para fazer alguns comentários de corridas por esse país fora eu ia a muitos acontecimentos taurinos e fazia os telefonemas de lá, depois a partir daí também em 1979 comecei na RTP numa corrida de toiros em directo da Póvoa de Varzim. Depois seguiu-se a Rádio Renascença, onde ora na Rádio Renascença ora na  "Voz de Lisboa" que também pertencia à Rádio Renascença estive também cerca de 30 anos,  nos jornais "Vida Ribatejana", O Dia" e mais recentemente o "Correio da Manhã" e na IrisFm de Samora Correia.

Q.C -Que diferenças encontra a tauromaquia de antigamente para a actual? 

M.V -Ficaríamos a conversar uma semana concerteza, mas basicamente a grande diferença eu penso que também está no público e nas organizações, o público porque não temos que levar a mal é assim, o público de hoje não é o de outrora, quando se diz: "o público de hoje não percebe nada", não se pode encarar a coisa só assim tão friamente, o público de hoje já não pode ter a mesma paciência que há 50 anos as pessoas tinham para ir aos "toiros". As pessoas têm muitos problemas as pessoas querem relaxar e descontrair, por isso às vezes é mais fácil triunfar hoje do que à 30 anos onde as atenções estavam todas viradas para aquilo, as pessoas eram capazes de andar uma semana a discutir, a pensar aquilo que iriam ver e depois mais uma semana a discutir aquilo que viram hoje, não, é tudo mais rápido a pessoa acaba a corrida e se calhar logo a seguir na internet vê uma notícia desgraçada que pode ter a ver com a própria pessoa, as pessoas vão aos toiros de facto para disfrutar e se distraírem e logo o público é diferente. Quanto às organizações, dantes havia os organizadores empresários profissionais rigorosamente independentes, não tinham sido nem toureiros, cavaleiros, forcados nem matadores de toiros, eram independentes, organizavam a festa de toiros com planeamentos à escala nacional de acordo com os gostos dos públicos das respectivas praças isso deixou de ser assim, porque hoje de 90 e tal por cento ou até 100 por cento das empresas estão nas mãos de antigos forcados ou de  forcados actuais, ou pessoas ligadas ao toureiro a cavalo como tal isso veio dar um cariz diferente e por isso é que eu digo com todo o respeito pelos cavaleiros e forcados porque acho que há lugar para todos, o toureio a pé à 30 anos para cá tem sido "roubado" em Portugal.

 Q.C- Qual o factor para que não se realizem quase corridas mistas em Portugal? 

M.V-É mais difícil organizar uma corrida mista, as organizações nem sempre têm capacidade, competência e conhecimentos para isso no que diz respeito a seleccionar toiros, em regra geral pode dizer-se que "qualquer" toiro serve para o êxito de um cavaleiro, nem todos os toiros servem para o toureio a pé, uma  coisa é um toiro ter que investir 30, 40 ou 60 vezes com a cara pelo chão outra coisa é o toiro investir numa lide com a cara pelo ar, por isso tem que haver uma grande capacidade para escolher toiros para uma corrida mista ou para o toureio a pé.

Q.C - O porquê de não se darem oportunidades aos Matadores de Toiros portugueses em Portugal?

 M.V- É como eu digo, porque a maioria das praças para não dizer na totalidade está nas mãos de pessoas ligadas ao toureio a cavalo e aos forcados, e como tal preferem pôr uma corrida de seis toiros para três ou seis cavaleiros, põem três grupos de forcados em vez de dois para satisfazerem a politíca das trocas. Cheguei a "ter" um empresário a pedir-me muita desculpa porque não podia confirmar a inclusão do Luís Vital "Procuna" numa praça onde tinha saído em ombros duas vezes, estou-me a referir a Amieira de Portel, esse senhor entretanto quem lhe tinha pedido para organizar corridas era profundamente ligado aos forcados e justificou-me porque queria que o grupo de forcados da sua terra pelo menos pegasse uma corrida por ano. Para pegarem uma corrida ficou um Matador de Toiros de fora, por outro lado há cavaleiros (3ªcavaleiro de um cartel), infelizmente à quem vá grátis, alguns se calhar vão a pagar, isto é o que se diz, provas nunca existem, mas sempre se calhar vão muito baratos e depois é a tal história querem meter dois e três grupos de forcados, e as pessoas que organizam salvo o caso da empresa da Praça de Toiros de Abiúl, do Campo Pequeno,  mesmo aí no Campo Pequeno defendo que deveria haver mais mas mesmo aí a culpa não será do Rui Bento, assim como na Nazaré digo o mesmo e na Moita do Ribatejo, salvo isso as pessoas que estão a organizar não gostam de toureio a pé.
Ainda agora tivemos o caso de Abiúl nas festas, três corridas duas só para caveleiros e uma mista, a mista é a que tem sempre mais gente e é a um domingo, e eles (empresa) mantêm-se fiéis e o Luís Vital "Procuna" foi lá durante sete anos seguidos e só não foi este ano por causa da doença, tiveram de contratar um matador espanhol porque não há matadores portugueses a querer bandarilhar e a corresponder aos desejos da empresa. (Continua).

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