quarta-feira, 27 de abril de 2011

“Queremos oferecer uma temporada interessante aos aficionados que vos visitam na época balnear”




Entrevista: Rui Bento Vasques gerente tauromáquico da Empresa do Campo Pequeno que também vai gerir a Praça de Toiros do Sitio da Nazaré falou para a nossa reportagem.

Uma entrevista de Bruno Paparrola e Joaquim José Paparrola

FOTO:DR

Blog: Quiebros e Chicuelinas - Como é gerir uma praça tão mítica e importante do panorama taurino mundial, como é a do Campo Pequeno ?

Rui Bento Vasques - Poderia resumir-se numa palavra: DESAFIO. É um desafio permanente e constante, dado o carisma que esta praça tem e a necessidade que havia de, após um período de um certo declínio que culminou com o encerramento para obras de restauro e de requalificação do próprio edifício e dos espaços envolventes, no ano 2000 e que se prolongou por seis anos. De 2006 para cá, o Campo Pequeno, não só retomou o seu lugar preponderante de praça de toiros mais importante de Portugal (que a bem dizer nunca esteve em risco) como se posicionou a nível internacional, constando hoje em dia do roteiro de actuações das principais figuras mundiais quer do toureio a cavalo, quer do toureio a pé. Hoje em dia o Campo Pequeno é presença constante nos principais meios de informação taurinos a nível mundial e a nível internacional é reconhecido como a Catedral Mundial do Toureio a Cavalo.

Q e B - Como têm decorrido os últimos anos na Monumental do Campo Pequeno com o Rui Bento Vasques a gerir os seus destinos?
R.B.V- A nossa conduta rege-se por rigorosos critérios de gestão. Recuperar o Campo Pequeno custou cerca de 80 milhões de euros, inteiramente suportados pela iniciativa privada. Não há no actual Campo Pequeno investido um cêntimo que seja de dinheiros públicos. Como tal, há que ter a cabeça fria no momento de delinear as estratégias empresariais para cada temporada. Trouxemos a Lisboa as maiores figuras internacionais da actualidade. Recordando: Julián Lopez “El Juli”, Enrique Ponce, Sebastian Castella, Francisco Rivera Ordoñez, Morante de la Puebla, Manuel de Jesus “El Cid”, Juan Bautista,, Miguel Àngel Perera, Pablo Hermoso de Mendoza, Diego Ventura. No que se refere a artistas portugueses, desde consagrados cavaleiros como João Moira e António Telles a matadores como Vítor Mendes e “Pedrito de Portugal”, aos principais grupos de forcados e às ganadarias mais prestigiadas, todos vieram e repetiram no Campo Pequeno. Demos também oportunidades a jovens e, este ano criámos a Academia de Toureio do Campo Pequeno, um projecto multidisciplinar, já que é aberto ao toureio a cavalo e ao toureio a pé e se destina não só a futuros toureiros como a aficionados práticos. Temos neste projecto as grandes mais-valias que são o matador de toiros José Luís Gonçalves (Director Artístico da Academia) e os cavaleiros Paulo Caetano e Rui Salvador que puseram à disposição dos alunos as suas quadras e, obviamente todo o seu saber acumulado ao longo de 30 anos de profissionalismo.


Q e C - Com que poderemos contar esta temporada na Monumental do Campo Pequeno?
R.B.V- Com uma temporada pensada com muito rigor, em virtude da delicada situação económica das famílias portuguesas. Mas também pensada como uma grande aposta na qualidade. Para já temos duas consequências a tirar do tipo de cartéis que propusemos para o abono de 2011. Primeiro a subida global de 20 por cento no número de abonados, em relação à temporada de 2010. Neste particular queria realçar o êxito que constituiu o “Cativo Júnior” que permitiu aos jovens com menos de 25 anos assistir a 16 espectáculos pelo preço de 100 Euros. Em segundo lugar, a primeira lotação esgotada da temporada (em 2010, recordo, registámos 5 lotações esgotadas), na corrida de inauguração, em que actuou o grande figura mundial do rejoneio, Diego Ventura, que repetirá esta temporada. Ao Campo Pequeno virão, Pablo Hermoso de Mendoza e Andy Cartagena, um rojoneador que faz parte do “top 3 de Espanha”, bem como os matadores de toiros Alejandro Talavante, Antonio Ferrera e Cayetano Rivera Ordoñez, João Moura (pai e filho), haverá no dia 2 de Junho a corrida das dinastias (cavaleiros), o concurso de pegas (28 de Julho), que este ano oporá os três principais grupos de forcados (Santarém, Montemor e Lisboa). Realizaremos também a habitual novilhada de promoção de novos valores (16 de Junho) e traremos ao Campo Pequeno os grandes nomes da ganadaria brava portuguesa. E por falar de ganadarias, registo já no dia 19 de Maio, a estreia no Campo Pequeno da ganadaria açoriana de Rego Botelho, numa corrida que está a despertar enorme expectativa. A segunda parte do abono (Agosto e Setembro, será destinada a confirmar artistas que se tenham destacado ao longo da temporada, quer no Campo Pequeno, quer noutras praças portuguesas e também a nível internacional). Haverá a corrida de homenagem ao emigrante (4 de Agosto), a corrida de homenagem póstuma ao saudoso matador de toiros José Falcão (11 de Agosto, data da sua trágica colhida em Barcelona), a corrida dos 119 anos da inauguração do Campo Pequeno (18 de Agosto). Haverá corridas ainda nos dais 25 de Agosto, 1 e 29 de Setembro, esta última para encerramento do abono, a tradicional corrida de gala à antiga portuguesa. Pelo meio haverá ainda dois espectáculos que já conquistaram um público muito especial: A Capeia Arraiana e a Garraiada da Academia de Lisboa. Em traços largos será esta a temporada de Lisboa.

Q e C - O Rui Bento Vasques como empresário também tem que gerir as praças de Arruda dos Vinhos, Figueira e Nazaré. Em relação a esta última que expectativa tem para a temporada 2011?

R.B.V- Vamos trabalhar no sentido de darmos aos aficionados da Nazaré e àqueles que vos visitam na época balnear uma temporada interessante, condizente com os pergaminhos da praça. Estamos a trabalhar com esse objectivo e, brevemente daremos mais pormenores sobre o que será a temporada 2011.

Q e C - Teremos novamente o Rui Bento vestido com um Traje de Luces, numa corrida de toiros?
R.B.V - Não! Esse tempo já passou. Agora o fócus da minha vida profissional é o apoderamento de toureiros (actualmente apodero o matador espanhol António Ferrera) e o campo empresarial, através do Campo Pequeno e demais praças que venham a estar sob a nossa gestão.










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